01 janeiro, 2010

[1966] Beatles, the - Revolver

Saudações.
Hoje um dos álbuns que eu mais ouvi, sem dúvida. Lançado em 5 de agosto de 1966, Revolver – que também poderia ter levado os nomes de Abracadabra, Four Sides of the Eternal Triangle ou ainda After Geography (sugestão jocosa de Ringo Starr que fazia menção ao disco Aftermath dos Rolling Stones, lançado um ano antes – é um disco inovador que consolidou as então frequentes brigas entre os Beatles e a interrupção das turnês por tempo indeterminado. É em 1966 que ocorre uma das últimas aparições da banda (Budokan, Japão). Depois de um longo hiato, ela só reapareceria ao vivo no lendário RoofTop Concert em 1969, pouco antes do rompimento do grupo.

Ainda quanto às datas, esse disco foi lançado um ano após Rubber Soul (1965) – marco inicial da adesão do grupo à psicodelia e às inovações musicais em estúdio (uso de cítara, gravações feitas em maior número de canais, etc.) –, e um ano antes de Sgt. Peppers Lonely Heart Club Band (1967) que, de acordo com o crítico Kenneth Tynan (The Times), trata-se de “um momento decisivo na história da civilização ocidental”.

É das sessões de 65-66 a compilação Yesterday and Today. Composto por hits de Rubber Soul e singles, sua capa mostra os “garotos de Liverpool” vestidos com roupas brancas e cobertos por bonecos distorcidos e pedaços de carne. Ela foi rapidamente retirada do mercado e classificada como um erro pela banda.

Sobre as faixas, Revolver passa pela música oriental em “Love You To”, pelo ufanismo em “Yellow Submarine”, pela melancolia em “Eleanor Rigby” e pelo experimentalismo em “Tomorrow Never Knows”, música que foi inspirada pelo livro de Timothy Leary, "O Livro Tibetano dos Mortos" e, devo dizer, minha favorita. Outro exemplo das inovações em estúdio é a faixa “I’m only sleeping” em que o solo de guitarra é gravado e depois reproduzido ao contrário – recurso explorado por James Marshall Hendrix ainda na década de 60.

Pela primeira vez, George Harrison coloca três de suas canções em um disco dos Fab Four: “Taxman”, a abertura que critica os altos impostos cobrados pelo governo inglês (são citados os nomes de Harold Wilson [Primeiro Ministro Inglês do Partido Trabalhista] e a Edward Heath [Líder da oposição do Partido Conservador]) sobre as composições do conjunto; “I Want to Tell You”; e “Love You To”, retrato da influência indiana que o próprio Harrison trouxe ao grupo.

Supõe-se que em músicas como "She Said, She Said", "Dr. Robert" e "Got To Get You Into My Life" houve influência de efeitos de drogas. Segundo depoimentos dos próprios membros do grupo no documentário The Beatles Anthology, o uso de maconha era constante desde 1965, mas foi no início de 1966 que George e John experimentaram o alucinógeno LSD, posto por um amigo dentista, em segredo, nos cafés de ambos. Sobre essa experiência, aparece na letra de “She Said, She Said” o verso “I know what it’s like to be dead” ("Eu sei como é estar morto").


A capa do disco é formada por colagens fotográficas e um desenho cru dos semblantes de John, Paul, George e Ringo. Ela foi feita pelo velho conhecido da banda Klaus Voormann, artista plástico e produtor musical alemão.


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Um comentário:

namaste disse...

let me tell you how it will be...
ah mor, você escreve tão bem![orgulho]
keep going, the blog is awesome! =*